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domingo, 30 de dezembro de 2012

Conhecendo um pouco da História do Mestre Cartola.

Cartola viveu duas fases bem distintas em sua carreira. Aos onze anos foi morar em Mangueira onde conheceu Carlos Cachaça, que o apresentou ao mundo do samba e de quem veio a ser parceiro em sambas que ficaram marcados pra sempre na história da Mangueira. Cartola, ao lado de Carlos, foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, sendo o responsável inclusive pela escolha do nome e das cores da escola.

Nessa época compôs inúmeros sambas de terreiro para sua escola e já despontando como um dos mais importantes compositores do morro foi descoberto pelos cantores do rádio. No final dos anos 20, Cartola apresentou a Mário Reis o seu samba "Que infeliz sorte". Mário acabou comprando o samba por 300 contos de réis, mas quem o gravou foi Francisco Alves em 1929.

Francisco Alves gravou diversos sambas de Cartola, como o clássico "Divina Dama" e "Não faz, amor" em parceria com Noel Rosa. Foi gravado também por Carmem Miranda, Mário Reis, Sílvio Caldas e Ataúlfo Alves. No final da década de 40 o compositor e maestro Villa Lobos, admirador confesso da obra de Cartola o indicou para participar de uma série de gravações feitas pelo maestro Leopold Stokowski e que resultou no lançamento do disco "Native Brazilian Music" de 1942. Na ocasião Cartola gravou "Quem me vê sorrindo" parceria com Carlos Cachaça e este é provavelmente o primeiro registro em disco da voz de Cartola.

Cartola passou a cantar no Rádio, interpretando composições próprias e também de outros autores. Chegou a apresentar um programa ao lado de Paulo da Portela chamado "A voz do morro", onde apresentavam sambas inéditos e ainda sem nome. O interessante é que os ouvintes é que davam nome aos sambas apresentados, sendo premiados os nomes mais criativos. Ainda com Paulo da Portela e na comanhia de Heitor dos Prazeres formou, em 1941, o "Conjunto Carioca", que chegou a se apresentar em programas radiofônicos em São Paulo. Em 1948 a Mangueira foi campeã com o samba "Vale do São Francisco" parceria com o amigo Carlos Cachaça.

A carreira, que parecia despontar rapidamente, acabou sendo interrompida por uma ironia do destino. No final dos anos 40, uma meningite o impossibilitou de trabalhar por um bom tempo e a perda da mulher Deolinda deixou Cartola bastante abalado. O compositor afasta-se da mangueira, sem deixar rastro, chegando a ser dado como desaparecido ou mesmo morto pelos seus amigos e familiares.

Até que em uma noite do ano de 1956, quando trabalhava como vigia em um prédio em Ipanema, resolver tomar um café num botequim próximo e acabou sendo reconhecido pelo escritor Sérgio Porto. O escritor ao ver o "Divino Cartola" naquela situação resolveu ajudá-lo e a partir daí Cartola voltava com tudo. O Cartola que todos conhecem, do Zicartola, dos discos da Marcus Pereira, compositor de sambas refinados como "O mundo é um moinho" e "O Sol nascerá". Mas esse Cartola todos conhecem... Vamos falar mais um pouco do Cartola dos anos 30 e 40.

Preparei para vocês uma coletânea com alguns sambas dessa primeira fase do Cartola, sambas que fizeram sucesso no rádio na voz de grandes cantores como Francisco Alves e Sílvio Caldas. Sambas maravilhosos que com uma ou outra excessão, estão empoeirados nos acervos de colecionadores. Fica de "tira gosto" o samba "Na Floresta" de Cartola e Sílvio Caldas e que foi regravado recentemente pelo Tuco e seu Batalhão de Sambistas no excelente disco "Peso é Peso"

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